segunda-feira, 8 de abril de 2013

Reportagens | Um País à Rasca (2013)



Realização: Victor Moura-Pinto

Musica de Intervenção | Fausto Bordalo Dias - Eis Aqui o Agiota




Eis aqui o agiota
Eis ali a agiotagem

De novo mergulho na luz do astro da musica
A minha cabeça
De novo a procura daquela
Melodia que teima
Em nascer as avessas
Se ribomba no contrapasso e se ja cruza o ciberespaço
Entao
Cuida de ti usurario
Na zona escura do erario
E da folia financeira
Do teu corpo fundo
E mais anonimo
A volta do mundo
Atravessando fronteiras

Esvoaçam
A tua volta esvoaçam
Taxas de juros e cambios
De cambistas e banqueiros
Titulos e dividas
Contraseguros
Visoes garridas
Malabaristas
E oniricas
Do dinheiro

A minha guitarra nao toca para ti
A minha guitarra rosna

Obeso e rebarbativo alardeando
A engorda
O teu figurino
Obesa a corruptela que mais
Disfarça e transforma
Selvagens capitalismos
Em brandos neoliberalismos
O mais doce dos eufemismos
E entao
Tu provas na perfeiçao
Que geres com o teu cifrao
A infelicidade dos outros
Reduzes um drama
O do maior desemprego
A centigramas
A percentagem de uns poucos

Encurralados
Os mais jovens encurralados
Em becos rasos de seringas
Contrafeitos mercadores
Em praças e ruas
Ruelas e avenidas
Envergonhadas
E mais anuladas
As maos estendidas
De arrumadores

Morreu a proletaria ditadura
A ditadura do mercado ja nasceu

Se cada vez menos produzem
Mais para a maior minoria
Toda a riqueza
Se cada vez menos para a imensa maioria sobram
Sobras que te caem da mesa
Da guerrilha dos capitais
Em doces paraisos fiscais

Entao
Cuida de ti argentario
O que retrata este sudario
E a maior parte do mundo
Que sobrevive na penumbra
De olhos postos em ti
Moribundo
Mas que te olha ja defunto

E enches a boca
De direitos humanos
Enches a boca
De fala
Do pensamento
Mas o do trabalho nunca
E porque sera
Que esse direito
No esquecimento fica
Se crucifica
Mais
Se abdica
Mas fica a pergunta

Keynes
Ao pe de ti
E arrumado a um canto
E a alegoria
Ou o retrato de um santo


domingo, 7 de abril de 2013

Entrevistas | D. Januário Torgal Ferreira - O que Fica do que Passa (2012)




Música de Intervenção | Fausto Bordalo Dias - A Guerra é a Guerra




Salto no escuro
Entre dentes trago a faca
E nos meus olhos coloridos
Juro
Vem ver o fogo no mar
Os peixes a arder
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Voando em arco
Esgueiro o corpo num balanço
Como um piloto do inferno
Assalto
Nas asas guerreiras de um anjo
Seja louvado
Atacamos mui baralhados
Como um bando endiabrado
Por Jesus na sua cruz
Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra

Coro:
Malaca Malaca
A guerra é a guerra
No céu e na terra
Nos dentes a faca
Avanço avanço
A guerra é a guerra
No céu e na terra
Balanço balanço
Cruzado cruzado
A guerra é a guerra
No céu e na terra
O mais enfeitado
Largar largar
O fogo no mar

Seja bendito
De todos o mais enfeitado
Olha p'ra mim o mais guerreiro
Ao vivo
Olha p'ra mim o teu amado
E o céu a arder
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Barcos em chamas
Erguidas
Parecia coisa sonhada
Queimados
Os gritos horrendos da besta
Ferida
E lá dentro ardiam homens
Encurralados
E cá fora à cutilada
Decepados
P'la calada
Pelos peitos já desfeitos
Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra

(coro)

Foge saloio
Eh parolo
Aguenta António de Faria
E a fidalguia
Todo o massacre
E todo o desconsolo
Que já lá vem o Coja Acém
E o mar a arder
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Diz-nos adeus o pirata
O labrego
De cima daquele mastro
Trocista e airoso
Mostrando o traseiro cafre
Preto escuro de um negro
Levando-nos coiro e tesouro
Rindo de gozo
Perdeu-se o resto na molhada
Pelo estrondo
Na quebrada
No edema da gangrena
Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Poesia | Eduardo Galeano - O Nascedor




Por que será que o Che
tem esse perigoso costume
de seguir sempre
renascendo?


Quanto mais o insultam,
o manipulam
o tradicionam, mais renasce.


Ele é o mais renascedor de todos!
Não será porque o Che
dizia o que pensava,
e fazia o que dizia?


Não será por isso, que segue
sendo tão extraordinário,
num mundo em que
as palavras e os fatos
raramente se encontram?


E quando se encontram,
raramente se saúdam,
porque não se
reconhecem?

Eduardo Galeno

Reportagens | Professores Sem Escola (2012)


Realização: Sofia Arêde